quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Não há bela sem senão...



O Instituto da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) divulgou hoje, em circular informativa, uma advertência da Agência Europeia dos Medicamentos em relação a um medicamento, o Sebivo (telbivudina).

Este fármaco, que ainda não está a ser comercializado em Portugal, mas que o será em breve, é um anti-viral usado no tratamento da hepatite B crónica, num esquema de monoterapia em doentes com: doença hepática compensada e evidência de replicação viral; níveis séricos ALT (alanina aminotransferase) continuamente elevados; histologia denunciando inflamação activa e/ou fibrose. Pode também ser utilizado em terapêutica combinada com interferão, no tratamento desta patologia.

Todavia, ensaios clínicos demonstraram que, embora em monoterapia seja pouco comum o surgimento secundário de neuropatia periférica, no esquema combinado de telbivudina + interferão, o risco de neuropatia periférica é real e sobre-elevado relativamente à opção monoterápica.

É neste contexto que surge o alerta da Agência Europeia dos Medicamentos, tendo em vista a inclusão desta advertência na informação do medicamento, bem como a sensibilização do médico para a monitorização cuidada dos doentes que se encontram a fazer esta terapêutica, no que concerne a potenciais sinais de neuropatia periférica.

Nota: Para quem não saiba, a neuropatia periférica inclui-se no grupo das doenças neuromusculares e consiste numa lesão (por várias causas) que compromete um ou mais nervos periféricos, podendo traduzir-se em alterações da sensibilidade, força muscular, mobilidade e diminuição ou abolição de reflexos.





Sophia

3 comentários:

Casimiro disse...

Nota 2: Para quem também não saiba, a neuropatia periférica em particular e toda a restante neurologia no geral fazem mal à cabeça...

Nota 3: Porque é que estas brilhantes e importantes conclusões só são divulgadas quando já dezenas, centenas ou milhares de pessoas realizam a medicação? Quando muitas vezes já não é possível voltar atrás nestes "senãos"? Cof Cof Lobby da Indústria Farmacêutica Cof Cof

Sophia Pena disse...

A nota 2 não vou comentar, porque sou suspeita, uma vez que adoro neurologia.
Quanto à nota 3, estou completamente de acordo. Menos mal é que ainda não é comercializado cá. Afinal, certas vezes até há benefícios em sermos um país "ligeiramente" atrasado!

Francisco M. disse...

Eu costumo, embora pareça um pouco do "conhecimento empírico", os medicamentos faz bem a uma coisa e faz mal a outra...
É lamentável que um medicamento recentemente "inventado" possa fazer tanto mal a um paciente...surge um dilema: "tomo ou não tomo?"
Quanto á nota 3 comentada pela Shopia, concordo plenamente, ás vezes é bom sermos um país que está na "cauda dos acontecimentos"...