Às vezes somos levados pela ideia de que tudo nos é permitido, de que podemos tudo, de que nos é dada a possibilidade de fazer tudo o que queremos. Somos ludibriados por um qualquer pensamento que nos faz achar que temos tudo sob o nosso controlo, que não temos constrangimentos de tempo, que temos todo o tempo do mundo para tudo. Vestimos a prepotência de que somos donos e senhores de tudo o que se passa na nossa vida e que fazemos o nosso destino.Concordo que podemos ser responsáveis pelo nosso caminho e que podemos concretizar quase tudo o que desejarmos e nos propusermos fazer.Mas, não confundamos optimismo, preserverança, determinação, força e vontade com omnipotência e imortalidade. Tenhamos a humildade de reconhecer que não somos donos do tempo e do acaso e de interiorizar que não temos a eternidade para o que nos apetecer.Vivam, aproveitem os dias, disfrutem as boas companhias, concretizem projectos e realizem o que vos faz sentir plenos, não percam tempo com ninharias e mesquinhez.Na nossa vida, nada depende só de nós, mas, tudo parte de nós.Sejam felizes!Sophia
"A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta."
(Alberto Caeiro)
Sophia
Há uma grande diferença entre o que queremos e entre o que o que sentimos nos permite fazer. Eu assumo essa diferença!Há uma grande diferença entre o que é correcto fazeres pelo que queres e entre o que, de facto, fazes para consegui-lo.Há uma grande diferença entre o que mostras ser no caminho entre o quereres e o conseguires.Não me agrada essa diferença e, sobretudo, não me agrada a falsidade com que a tentas disfarçar nem a leviandade com que te refutas a assumi-la e explicá-la.Há uma grande diferença entre o que foi, o que é e o que será...Há uma grande diferença entre nós...Há uma grande diferença entre o que se conhece, o que se quer e o que nos é permitido fazer...Há uma grande diferença...Sophia
"No vento que uiva
a quem saiba escutar,
o eco da chuva
num cão a ladrar.
No som do relógio,
no sino a dobrar,
as vozes das fontes
na pedra a falar.Nas sombras dos tempos
os velhos sabiam,
ouvir as vozes do mundo a falar,
onde o segredo é saber calar.Na sombra dos tempos,
os velhos diziam:
tudo no mundo vivia a falar,
os homens, as pedras, o sol e o luar,
os bichos da terra e os peixes do mar.E falam as vozes nas ondas do mar
no som das esferas, de noite ao luar.
Nas velhas quimeras que falam a sós
de lá do outro mundo, no fundo de nós."(Pedro de Orey)Sophia
Hoje é dia de repensar!Por vezes, somos de tal modo arrastados por uma rotina, que fazemos coisas que já nem questionamos e que são perfeitamente desnecessárias e deixamos por fazer algo que está estabelecido não se dever fazer.Por vezes, esta rotina e o que outros nos mostraram por seus olhos está tão intrincado em nós que ficamos estupefactos quando somos obrigados a parar e repensar.É bom mantermos a sobriedade de não nos deixar arrastar e cair em rotina. É bom questionarmos. É bom colocarmos lentes diferentes e darmos diferentes leituras àquilo que outrém nos expõe. É bom explorarmos a constante novidade das coisas. O que pensamos e vemos em cada uma delas é tão válido como aquilo que alguém viu nelas ontem e como o que outro alguém verá nelas amanhã, pelo simples facto de que todas essas ópticas têm um porquê.“Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros, gnomos e fadas
num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moínhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moínhos? São moínhos.
Vê gigantes? São gigantes.”
(António Gedeão)
Sophia
“Sou médico. Um médico é um médico; não escolhe doentes nem caminhos. (...) Um homem morto. Uma realidade directa que me tocava de perto. Tinha estropiado cadáveres na morgue; chegara a ver enfermos a agonizar durante as lições nas enfermarias; vivia cercado de doenças, misérias, estertores. Mas, tudo isso eram acontecimentos necessários para a lógica dos tratados. Esta morte dizia-me respeito. Conhecera o primo Lucas longe desse ambiente; era um homem, uma coisa viva e misturada nas recordações da minha infância; um ser pronto a sofrer, pronto aos júbilos e às desventuras. Os outros homens da enfermaria ou do necrotério não tinham para mim um história, serviam para confirmar uma ciência.
Alguma coisa estava brutalmente errada. Haviam-me iludido, magoado. Recebia uma lição. Daí em diante sofreria até à angústia o que é ter uma vida nas nossas mãos, uma vida que nos é entregue: um misto de desafio, de responsabilidade e de desespero.”
(Fernando Namora)
Sophia
Por vezes, querer não chega. Aliás, por vezes, pura e simplesmente, não chega. Independetemente de quereres, não saberes o que queres, ou achares que queres e não queres, por vezes, não chega. Por vezes, o que sentimos e o que fazemos fica num outro plano disso que queremos ou não queremos e achamos que sim, e não dá.Não dá! Não chega! E é tudo!Sophia