quinta-feira, 1 de julho de 2010

Tempo

Saudades!?
Sim, talvez um dia, como de quase tudo aquilo que vivemos com significado e que não poderemos voltar a viver. Ou, que talvez até pudéssemos, se tivéssemos coragem para tal.
Mas, tudo na vida tem o seu tempo. E, o meu tempo para esta etapa há bastante que se esgotou!
Disto tenho a certeza, como tenho a certeza de que possivelmente virei a sentir saudades um dia, como tenho a certeza de que só as sentirei exactamente porque isto acabou aqui, no seu tempo certo, como tenho a certeza de que ganhei as armas para fazer com que essas saudades nunca sejam maiores do que a vontade de continuar...
Porquê!?
Porque, na vida, tudo tem o seu tempo, e, o meu tempo para esta etapa há bastante que se esgotou!...

Foi um prazer!




Sophia

domingo, 6 de junho de 2010

Para quando um bom Português!?

"Há palavras com o dom
De atrapalhar a gente,
Pois que, tendo o mesmo som,
Têm grafia diferente.

Passo, com s dobrado,
é de passar - bem sabeis -;
Paço, com c cedilhado,
É palácio ... mas de reis.

Nós, com s é um pronome,
E um pronome de primeira;
Noz, com z é sempre um nome
Pois é fruto de nogueira."
(Irondino Teixeira Aguiar, Aprender a Brincar)

Tristemente, parece que há cada vez mais gente atrapalhada, com mais palavras com menor complexidade e de uma forma muito mais grave do que as aberrações do novo acordo ortográfico. Seria lamentável que não se voltasse a falar e escrever bom protuguês em Portugal, mas veremos para quando o regresso da aprendizagem e do interesse por um português correcto.



Sophia

domingo, 24 de janeiro de 2010

Urgentemente

"É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.

É urgente inventar a alegria,
Multiplicar as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
Permanecer.
(Eugénio de Andrade, Antologia Breve)



Sophia

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Vermelho Vivo!

Bem, já tive oportunidade de criticar. É chegada a hora de elogiar e congratular este treinador, esta equipa, este símbolo, esta paixão!
Por conta disto, já hoje me chamaram "chata", insuportável e irritante, sem, no entanto, muito dizer sobre este assunto. É, então altura de exercer na plenitude a minha inexcedível capacidade de ser deveras "chata", irritante e insuportável.
Mais uma goleada! Perdão, mais uma sova! Ou, uma abada, se preferirem!... E, o primeiro lugar na liga! Ah, e desculpem lá por isto ser tão tremendamente irritante! Não há direito de se ser assim tão "chato". Roubar-vos o mote de produzir irritação de que têm gozado usufruir nas últimas épocas.
E, assim se prova a nossa superior qualidade e importância, já que conseguimos, em pouco mais do que meia dúzia de jornadas, produzir tanto prurido nos adversários como eles criaram nos últimos 5 anos.
Poderia dizer muita coisa, mas deixo-vos, em seguida, com excertos de duas das colunas de opinião de Ricardo Araújo Pereira no jornal A Bola, que, quanto a mim, são qualquer coisa de precioso e dizem tudo! Enjoy it!


"Lamento muito, mas um adepto não deve apenas dizer bem. Sobretudo quando é fácil. Apesar do bom futebol, das vitórias, do imenso receio que o Benfica inspira aos adversários, da profunda satisfação que todos os benfiquistas sentem quando vêem a equipa jogar, nem tudo corre bem. Um treinador deve exercer um controlo perfeito sobre a equipa e Jorge Jesus, por muito que me custe admiti-lo, não consegue. São já várias as conferências de imprensa em que o treinador do Benfica lembra que a equipa não pode golear sempre. Os jogadores, num acto de indisciplina recorrente, e que mereceria castigo sério, continuam a desmenti-lo. Quando chegou ao Benfica, Jorge Jesus disse que os jogadores iriam jogar o dobro do que haviam jogado no ano passado. Neste momento, os jogadores jogam o quádruplo do que Jorge Jesus pensava que eles iam jogar. É muito feio faltar ao prometido.

As falsas expectativas que o treinador do Benfica lançou no início da época tiveram efeitos muito negativos até na minha vida pessoal. Quando soube que o Benfica jogaria o dobro do que havia jogado no ano passado fiquei contente, mas não demasiado. O Benfica não jogava assim tanto para que a perspectiva de passar a jogar apenas o dobro fosse especialmente apelativa. Por isso, cometi a imprudência de marcar compromissos profissionais para dias de jogo do Benfica. Não pude ver no estádio a goleada ao Everton e fui forçado a acompanhar a goleada ao Belenenses apenas na televisão. Tivesse Jorge Jesus sido rigoroso e eu teria metido licença sem vencimento até ao fim da época.

Muito embora o Benfica seja, neste momento, uma máquina de triturar equipas e fazer golos, muita gente adverte ainda para os perigos que podem resultar do entusiasmo dos benfiquistas. Pelos vistos, o entusiasmo benfiquista é perigoso. Quando as outras equipas perdem, o adversário joga melhor. Quando o Benfica perde, a culpa é do entusiasmo dos sócios. Não se percebe a razão pela qual os outros treinam: segundo esta curiosa teoria, basta entusiasmarem-nos o terceiro anel para estarmos em apuros. O mais interessante é que o mesmo entusiasmo, tão contraproducente, também é apontado como um factor que nos beneficia. Sportinguistas e portistas queixam-se de que a onda de entusiasmo contagia os jornais e empurra o Benfica, o treinador do Braga lamenta que o Benfica seja levado ao colo pela euforia dos seus próprios adeptos. Em Portugal, ser levado ao colo pelo entusiasmo dos adeptos é crime, ser levado ao colo pela arbitragem é dirigismo brilhante. O treinador do Braga, por exemplo, nunca se queixou disso. Calha sempre estar a olhar para o chão.
"
(por R. Araújo Pereira in A Bola, em 24 de Outubro de 2009)



"E a seguir foi a maldita pré-época. Que interessava ganhar todas as competições? Muitas vezes, as equipas que fazem as melhores exibições na pré-época são as que jogam pior no campeonato, disseram uns. O candidato a presidente do Benfica é que nunca mais disse nada, o que é pena.Depois, vieram os primeiros jogos do campeonato. Sim, a equipa joga bem, mas é demasiado cedo para estar a jogar bem, disseram uns. Ao que parece, as boas exibições têm o seu tempo, e não é este. O Benfica, por incompetência ou ingenuidade, cometia a estupidez de jogar bom futebol. Logo a seguir, veio a primeira goleada - curiosamente, a maior das últimas décadas. Não impressionou. Normalíssimo, disseram uns. No ano passado também deram seis ao Marítimo e depois ficaram dois meses sem marcar, disseram outros. Havia que esperar pela semana seguinte. E então, esperou-se. Infelizmente, houve nova goleada. E depois, nova vitória. Os reforços são óptimos, o treinador é muito competente, a pré-época cumpriu as suas promessas, e as goleadas persistem. Não se faz. É muito aborrecido quando a realidade contraria sistematicamente os desejos das pessoas. Julgo que este Benfica deve um pedido de desculpas a muita gente.


Até aos benfiquistas, que também estão desiludidos. Que graça tem estar a ganhar por três ao quarto de hora? Que sentido faz um adepto ter de pedir ao companheiro do lado que lhe ausculte o peito, a ver se o coração continua a bater? Não há um resultado tangencial que o sobressalte, um contra-ataque perigoso que o faça palpitar, uma bola na trave que o obrigue a dar sinal. O Sr. Jorge Jesus e os seus pupilos têm consciência das dores musculares com que um ser humano fica quando é forçado a levantar-se de um salto oito vezes no espaço de uma hora e meia? Eu pago para ver futebol, não é para fazer aeróbica. Aviso já que vou passar a levantar-me apenas de três em três golos, uma vez que não tenho preparação física para acompanhar esta equipa. Espero em breve levantar-me por cinco vezes. Como sabem, ando há muito tempo a desejar um 15 a 0."
(por R. Araújo Pereira in A Bola)





Sophia

domingo, 18 de outubro de 2009

Sempre que Possível...

MY WAY

"And now the end is near
And so I face the final curtin
My friend, I'll say it clear
I'll state my case of which I'm certain
I've lived a life thats full
I've travelled each and every highway
and oh much more than that
I did it my way

Regrets I've had a few
But then again too few to mention
I did what I had to do
And saw it through without exemption
I planned each chartered course
Each careful step along the by-way
And more, much more than this
I did it my way

Yes, there were times
I'm sure you knew
When I bit off more than I could chew
But through it all when there was doubt
I ate it up and spit it out
I faced it all
And I stood tall
And did it my way

I've loved, I've laughed, and cried
I've had my fill, my share of losing
And now, as tears subside
I find it all so amusing
To think I did all that
And may I say, not in a shy way
"Oh no, oh no, not me
I did it my way"

For what is a man, what has he got?
If not himself then he has naught
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels
The record shows I took the blows
And did it my way

Yes, it was my way"
(Frank Sinatra)




Sophia

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Olimpíadas da Desigualdade

O Comité Olímpico Internacional decidiu hoje o plano de organização dos Jogos Olímpicos de 2016, designando o Brasil como país anfitrião.
A história repete-se. Um país de desigualdades, de contrastes sociais, de pobreza e criminalidade a níveis profundamente alarmantes, recebe o rebuçado, para glorificação dos organizadores e júbilo das classes mais abarcadas por essas diferenças e dificuldades, que são os que menos recebem do lucro deste bolo e os que mais ajudam a engordá-lo, pelo espírito e entusiasmo que dão a este tipo de eventos.
Poderia comparar isto a algo que se passou em 2004, no nosso Portugal, com uma única e grande diferença: o Brasil, embora alimentando estes fossos sociais, é, efectivamente, um país grande e rico, uma potência económica mundial.
Devíamos atentar não nos pontos negativos, mas nas qualidades que nos mostram.
Sugiro que se ponha de lado a mania das grandezas e que se faça algo para se ser, de facto, grande e forte.




Sophia

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Que Nos Conta a Es/História...

Completam-se hoje 70 anos desde que a Alemanha Hitleriana invadiu a Polónia, lançando ao chão a primeira pedra, para o início de uma grande lição para a humanidade, a Segunda Guerra Mundial. Mais do que relembrar aquilo que o passado nos ensinou, ou devia ter ensinado, esta data serve ainda de repto para vos recomendar uma obra que nos conta uma estória ligeiramente diferente, ao fim ao cabo, uma perspectiva diferente de uma história que já conhecemos, o filme Inglourious Basterds, de Quentin Tarantino.
Neste filme, os mártires judeus e os seus aliados assumem um novo papel ao responderem ao terror nazi com idêntica crueldade.
Certo ou errado!? Isso é com cada um.
O que nos é, de facto, oferecido é uma imagem diferente de um tema que poderia parecer já cinematograficamente esgotado, na forma de um humor inteligente, por vezes, subtil, não ofensivo, mesclado com algumas imagens e sons fortes para os mais susceptíveis e com interpretações praticamente irrepreensíveis.
Quanto à estória e a tudo o resto, apenas vos digo para verem, porque vale a pena!


Sophia