segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Construindo um palácio

"Têm de estudar e aprender para serem vocês a tirarem as vossas conclusões sobre a História, mas não podem decidir nada se tiverem a cabeça vazia. Apetrechem a vossa cabeça, apetrechem a vossa cabeça. É a vossa arca do tesouro e ninguém no mundo pode interferir com o que vai lá dentro. Se ganhassem a lotaria irlandesa e comprassem uma casa por mobilar, enchiam-na de lixo!? A vossa mente é a vossa casa, e, se a encherem com as porcarias que vêem no cinema, vai acabar por apodrecer. Podem ser pobres, podem ter os sapatos rotos, mas, a vossa mente ser um palácio.”

(Frank McCourt, in As Cinzas de Ângela)


 
Sophia

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A Nova Linguagem da Medicina

"Durante os nossos primeiros anos na Faculdade de Medicina, passámos horas a fio a aprender novas palavras, memorizando vocabulário como se estivéssemos a estudar uma língua estrangeira. Descobrimos que algumas palavras que soavam estrangeiras representavam, na realidade, coisas banais e familiares: parotidite era papeira e prurido significava comichão. Hoje, damos por nós a aprender uma nova linguagem da Medicina repleta de palavras que nos parecem familiares, mas que acabamos por percepcionar como se fossem estrangeiras. Os doentes já não são doentes, mas sim clientes ou consumidores. Os médicos e enfermeiros transformaram-se em prestadores (de serviços de saúde). Estes descritivos têm vindo a ser cada vez mais largamente adoptados, quer pelos media, quer por publicações médicas, e, até mesmo, em jornadas ou reuniões científicas."

domingo, 14 de agosto de 2011

Património

Quando no canto superior do meu televisor aparece "Directo" escrito "Direto" o meu estômago dá voltas e a minha alma fica triste. A língua é um Património e a nossa é extremamente rica, quando respeitadas as suas regras. Por isso, aqui, vai continuar a escrever-se Português.*

*Nota: Por Português entende-se a Língua de Camões, de Pessoa, de Garrett, de Bocage, das Cantigas de Amor de D. Dinis, a língua que surgiu com o sonho de Afonso Henriques e que foi evoluindo até à forma como a conhecíamos até há bem pouco tempo. Um património que cresceu e se adaptou, mas nunca se adulterou nas suas raízes. Português é Português. Português não é Brasileiro e Brasileiro não é "Português do Brasil". Português é Português e Brasileiro é Brasileiro! Basta lerem livros nestas duas línguas para perceberem o que digo. São dois patrimónios, independentes, distintos, embora com um passado comum, e, assim, devem ser mantidos.
Como disse João de Melo: "A língua pode muito bem ser uma pátria, como escreveu Fernando Pessoa, porque como pátria se ganha, se perde, se adopta ou se repudia. Mas, antes de pátria, a língua é sempre algo de mais íntimo: padrão e medida da nossa alma; referência da nossa arte..."
Por isso, aqui se defende que não se repudie uma das maiores riquezas da nossa pátria, que não seja violada a nossa intimidade, usurpada a nossa alma, deteriorada, adulterada a nossa arte! Aqui, escreve-se em Português!



Sophia

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Juro!

Após uma longa caminhada, e, apesar, de uma evolução inexorável da ciência, da Medicina e da sociedade, o Juramento de Hipócrates é um momento carregado de simbolismo e de emoção revivalista de um percurso árduo, mas compensador.
Foi avassalador o momento em que proferimos juntos a promessa de uma vida.
Foi o selar e o brindar de um esforço e preserverança contínuos, o momento em que, transbordando uma enorme felicidade e realização, subi ao palco e recebi, mais do que a cédula profissional das mãos do Exmo. Sr. Bastonário, as felicitações sinceras e visivelmente emocionadas de dois mestres: o Prof. Doutor Gentil Martins e o Dr. Germano Sousa.
Como há seis anos atrás, a intenção e responsabilidade dessas palavras mantém-se e digo-as com a mesma convicção!
Foi com agrado ainda que pude ler as palavras do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa no blog do Sol, a propósito da sua presença no nosso Juramento: «FELICIDADE. Na distribuição das cédulas pela Ordem, entreguei o prémio Machado Macedo aos melhores alunos de Medicina de Lisboa. Momento raro de felicidade: eu, hipocondríaco, rodeado de mais de 500 médicos; poder recitar com eles o juramento de Hipócrates. Pequena consolação por não ter tirado Medicina.»
Em suma, foi um daqueles primorosos momentos da vida, que não serão esquecidos e que não precisam de fotografias para serem imortalizados em nós e naqueles que estiveram connosco nesse dia, como nos últimos seis anos. A eles também um retumbante "Parabéns" e um sentido "Obrigado".
No entanto, nada disto significa que não haja mais patamares a alcançar. Fizémos um Juramento. É chegada a altura de começar a cumpri-lo o melhor que pudermos a cada dia!



Sophia

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Tempo

Saudades!?
Sim, talvez um dia, como de quase tudo aquilo que vivemos com significado e que não poderemos voltar a viver. Ou, que talvez até pudéssemos, se tivéssemos coragem para tal.
Mas, tudo na vida tem o seu tempo. E, o meu tempo para esta etapa há bastante que se esgotou!
Disto tenho a certeza, como tenho a certeza de que possivelmente virei a sentir saudades um dia, como tenho a certeza de que só as sentirei exactamente porque isto acabou aqui, no seu tempo certo, como tenho a certeza de que ganhei as armas para fazer com que essas saudades nunca sejam maiores do que a vontade de continuar...
Porquê!?
Porque, na vida, tudo tem o seu tempo, e, o meu tempo para esta etapa há bastante que se esgotou!...

Foi um prazer!




Sophia

domingo, 6 de junho de 2010

Para quando um bom Português!?

"Há palavras com o dom
De atrapalhar a gente,
Pois que, tendo o mesmo som,
Têm grafia diferente.

Passo, com s dobrado,
é de passar - bem sabeis -;
Paço, com c cedilhado,
É palácio ... mas de reis.

Nós, com s é um pronome,
E um pronome de primeira;
Noz, com z é sempre um nome
Pois é fruto de nogueira."
(Irondino Teixeira Aguiar, Aprender a Brincar)

Tristemente, parece que há cada vez mais gente atrapalhada, com mais palavras com menor complexidade e de uma forma muito mais grave do que as aberrações do novo acordo ortográfico. Seria lamentável que não se voltasse a falar e escrever bom protuguês em Portugal, mas veremos para quando o regresso da aprendizagem e do interesse por um português correcto.



Sophia

domingo, 24 de janeiro de 2010

Urgentemente

"É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.

É urgente inventar a alegria,
Multiplicar as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
Permanecer.
(Eugénio de Andrade, Antologia Breve)



Sophia