quinta-feira, 12 de junho de 2008

Com outros olhos

Hoje é dia de repensar!
Por vezes, somos de tal modo arrastados por uma rotina, que fazemos coisas que já nem questionamos e que são perfeitamente desnecessárias e deixamos por fazer algo que está estabelecido não se dever fazer.
Por vezes, esta rotina e o que outros nos mostraram por seus olhos está tão intrincado em nós que ficamos estupefactos quando somos obrigados a parar e repensar.
É bom mantermos a sobriedade de não nos deixar arrastar e cair em rotina. É bom questionarmos. É bom colocarmos lentes diferentes e darmos diferentes leituras àquilo que outrém nos expõe. É bom explorarmos a constante novidade das coisas. O que pensamos e vemos em cada uma delas é tão válido como aquilo que alguém viu nelas ontem e como o que outro alguém verá nelas amanhã, pelo simples facto de que todas essas ópticas têm um porquê.

“Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.


Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.


Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros, gnomos e fadas
num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moínhos
D. Quixote vê gigantes.


Vê moínhos? São moínhos.
Vê gigantes? São gigantes.”
(António Gedeão)


Sophia

2 comentários:

Rendeiro disse...

Olhos que vêm
e olhos que não querem ver

que fecham sem cegar
que cegam sem fechar

olhares que se oferecem
pontos de vista que se emprestam


Uma coisa que aprendi com as minhas miniventuras fotográficas é que há sempre algo novo por ver em tudo o que olhamos, como os gigantes e os moinhos, há muito que ver pelos nossos olhos e pelos vizinhos, nas coisas e nas pessoas. Mudar de prespectiva às vezes é bom e é preciso primeiro abrir os olhos.

Obrigado pelo poema do António, não conhecia, qualquer dia levo-o emprestado para o meu Castelo ;-)

Beijo.

Sophia Pena disse...

De nada!
Este blog é suposto ser um local de partilhas. Obrigada pelo comentário, que lhe acrescentou valor.
Fazes bem em levar o poema do António emprestado, é algo que merece e deve ser partilhado.