sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Entre Banho Maria e Ponto de Ebulição

Oscilando entre calma e indiferença fabricada e um estado de irritação prestes a fazer estragos. Eis um momento de vida que todos experimentamos um dia. Não único, não raro.
Porque a nossa natureza já nos traz, à partida, num ponto próximo disto. Porque a saturação dos dias e do ambiente assim o desencadeiam, instalam ou fomentam. Porque algo ou alguém nos puxa e empurra para isso insistentemente. Porque o passar do tempo não se compadece com os nossos esforços, fazendo com que numa sequência indeterminada de dias se acumulem rasteiras e quedas. Porque nos sufoca o constrangimento do espaço. Porque nos é roubado o ar. Porque nos cortamos numa faca ou porque nos queimamos, ou porque alguém nos espetou uma faca, nos picou, nos fez queimar por dentro. Porque o simples sopro ou o exuberante guincho das vozes demasiadamente mesquinho, vil, desagradável, duro, gélido ou injusto. Porque sabemos lá. Porque tanto para tão pouco, por tão pouco. Porque pouco para o que devia.
Porque tudo isto, variamos entre um acumular paulatino e confortável e um estado fervoroso de irritação, ou alheamos os nossos sentidos e nada aconteceu ou, contraem-se os músculos, latejam as têmporas, acelera o bater do coração, cria-se um aperto no peito que impele gritos e palavras irrascíveis ou de razão, de apaziguamento ou de irritação, que se formam na garganta, percorre o corpo um calor, a força do que se conhece e se sente ser injusto, inverosímel ou do que se sabe ser dolorosamente verdadeiro faz o cérebro trabalhar a mil e desdobrar-se em argumentos, desenrola-se por segundos, minutos ou horas uma luta entre tudo o que esse mesmo cérebro processa, entre o que deseja e o que julga ponderado, e entre o que os gritos formados na garganta ameaçam fazer-nos vociferar, guarda-se na memória, o que queremos apagar por ser brutalmente real, gera-se uma irreprimível vontade de mudança.
E tudo isto dói, tudo isto cansa!
Tudo isto exige libertação das forças negativas, acção e mudança. E perante isso, jamais revoguemos a nossa natureza pro-activa.



Sophia

4 comentários:

Francisco M. disse...

Mais um texto pessoal mas profundo.
Não te sentes mais aliviada depois de escreveres um texto destes amiga? =)
Beijinhos amiguinha**

Sophia Pena disse...

Quase sempre que escrevo me sinto aliviada, mesmo que não seja um texto profundo e pessoal, como dizes, meu bom amigo. E, o que escrevi aqui não foi excepção. A escrita é um bom veículo de alívio, um fantástico anti-stress, para além de que, mesmo quando escrevo algo mais pessoal, tento sempre que isso traduza a realidade de outras pessoas também, ajustando o meu cunho pessoal ao que os outros vivem e experienciam também à sua maneira. E sim, migo, este texto foi, como é regra, uma bem sucedida forma de alívio. :)

Rendeiro disse...

O problema ou a virtude do descargue anti-stress pela escrita é esse alívio: lembra-te que o que queríamos dizer parecendo que foi dito, ficou por ser ouvido por quem o merecia ou devia.

Estás a precisar é de um bolinho :P

PS: e desculpa se às vezes não respondo, estes meus horários estão de todo.

Sophia Pena disse...

Lol :P
Um bolinho já ia!
Não há nenhum drama por aqui ok!?
Há coisas que não é para terem resposta. E não há problemas com os horários.